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Risco de guerra civil ameaça a Ucrânia

Qua, 16/04/2014 - 12:28

Sinais de divisões internas nas forças de Kiev encarregadas da “operação anti terrorista” contra o Sudeste da Ucrânia, resistência de grupos russófonos que tem travado a ofensiva e riscos cada vez mais elevados de guerra civil caracterizam a situação na Ucrânia.

A população russófona no Leste e Sudeste do país, sobretudo na região industrial e mineira de Donetsk, continua a opor-se à extensão do novo regime de Kiev a estas zonas devido ao que consideram ser o carácter chauvinista e xenófobo do governo central tanto aos níveis político como linguístico e religioso.

Depois de as tropas ucranianas terem tomado a aeroporto de Kramatorsk, operação durante a qual se registaram quatro mortos, verifica-se que as tropas terrestres têm dificuldades em avançar para cidades como Slavyansk, Dontesk e Odessa, onde a população se opõe nas ruas aos veículos militares, nos quais os ocupantes se têm mostrado relutantes em disparar, desobedecendo à cadeia de comando. Grupos de civis tomaram alguns veículos militares, segundo jornalistas no terreno, facto a que Kiev responde afirmando que se trata de tropas russas no interior do território ucraniano.

A exemplo do que aconteceu em Donetsk, o movimento popular russófono proclamou a República Popular em Odessa, como forma de rejeitar o regime instituído em Kiev com apoio dos Estados Unidos, NATO e União Europeia e comandando operacionalmente por forças neonazis nas áreas de segurança e militar.

No Sudeste do país os manifestantes rejeitam as acusações de que se trata de “separatistas”, afirmando-se como “federalistas” pretendendo uma Ucrânia onde todos os grupos convivam em situação de igualdade e sem submissão de minorias a maiorias regionais.

Em Moscovo, Vladimir Putin voltou a negar o envolvimento de tropas russas na Ucrânia e reafirmou que o caso da Crimeia foi único e não é repetível em qualquer outra região do país vizinho. A NATO acusa a Rússia de acantonar tropas nas fronteiras com a Ucrânia mas fontes próximas da aliança têm divulgado cálculos muito diferentes sobre esse contingente russo, que variam entre a dezena de milhar e a centena de milhar.

No âmbito das Nações Unidas as tendências dominantes norte-americana e da União Europeia, com a colaboração do secretário geral Ban Ki-moon, condenam a Rússia por estar por detrás da agitação na Ucrânia, posição que Moscovo qualifica como “tendenciosa”. As tomadas de posição das Nações Unidas, Bruxelas e Washington continuam a ser omissas quanto ao modo não democrático como foi mudado o regime em Kiev e à participação dominante de grupos de assalto neonazis no novo governo.

Na sequência dos sinais de desunião no interior das forças armadas na execução da “operação anti terrorista” no Sudeste da Ucrânia as novas autoridades de Kiev aceleram a operacionalidade da recém-criada Guarda Nacional integrando neste corpo as milícias de assalto de vários grupos fascistas, designadamente do Sector de Direita – herdeiro ideológico directo da Ucrânia hitleriana.

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