The Week

A luta dos brasileiros contra a autocracia FIFA

Sex, 13/06/2014 - 13:36

Copa do Brasil: o povo que não se deixa enredar - Marisa Matias 2014/06/13

Marisa Matias considera “muito importante salientar a maneira como o povo brasileiro se levantou” contra os efeitos anti-sociais que caracterizam a organização do Campeonato do Mundo de Futebol, fazendo “emergir uma nova consciência popular num país que adora o futebol, que vibra com o jogo  mas não se deixou enredar nele”.

Na sua crónica semanal no programa Conselho Superior da Antena 1, a eurodeputada eleita pelo Bloco de Esquerda afirmou que “é por ser um país onde as pessoas adoram o futebol que é tão importante ver como os brasileiros se mobilizam, reivindicam os seus direitos e resistem a uma chantagem para que se apaguem problemas reais de um país muito desigual”.

Enumerando as características comuns a estas mega-eventos, onde quer que se realizem – corrupção, derrapagens de custos, elefantes brancos, designadamente estádios caríssimos sem posterior utilização garantida – Marisa Matias salientou, pela negativa, as consequências do facto de o poder “supranacional” da FIFA (Federação Internacional de Futebol) se sobrepor ao dos Estados e dos povos, a ponto “de fazer alterar as leis dos países para impor poderes publicitários”.

A eurodeputada salientou igualmente a circunstância de 95% do investimento no Mundial do Brasil ser público, o que não condiz com “um país onde há muito dinheiro mas também há ainda muita pobreza”.

Daí, salientou Marisa Matias, a importância de as populações se terem mobilizado contra estas realidades, lutando e protestando nas ruas, formando “comités contra a Copa em que reivindicam o direito de também terem escolas e hospitais com o padrão FIFA”. A eurodeputada do Bloco de Esquerda lembrou, a propósito, que o serviço público de saúde brasileiro (SUS) era de grande qualidade “e está a ser desmantelado enquanto o estádio de Brasília é o mais caro do mundo e o estádio de Manaus servirá para quatro jogos sem que haja certezas quanto às suas futuras utilizações”.

Redes Sociais
Opinião