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BCE estabelece os juros mais baixos da sua história

Sex, 06/06/2014 - 18:47
Supervisão bancária
Van Dam, Landsmeer, Holanda

O BCE tornou-se o primeiro banco central do mundo a pagar à banca privada para que nele deposite as suas reservas monetárias, no quadro de um plano em que voltou a baixar o preço do dinheiro supostamente para reactivar a economia, mas sem criar condições para combater a austeridade.

As medidas do Banco Central Europeu (BCE) anunciadas na quinta-feira pelo seu presidente, Mário Draghi, não convenceram ainda os analistas que defendem os pontos de vista da banca privada, “que querem mais”, e também os banqueiros germânicos, que consideram as decisões como “medidas para esvaziar as poupanças dos aforradores alemães”.

Draghi anunciou a baixa das taxas de juro de referência para 0,15%, um valor jamais estabelecido nos 15 anos de história do BCE, e anunciou uma linha de crédito de 400 mil milhões de euros que, em princípio, deveria ser destinada a empresas e consumidores.

Uma das dúvidas formuladas pelos analistas em relação à eficácia destas medidas na reanimação consistente da economia relaciona-se com o destino real da linha de crédito de 400 mil milhões de euros. Os exemplos existentes nas relações entre a banca e o acesso fácil ao dinheiro do BCE revelam que esses montantes são investidos prioritariamente em actividades de rendimentos mais elevados e mais rápidos, relegando para situações marginais os créditos ao consumo e às pequenas e médias empresas. Daí os poucos efeitos que as linhas de crédito, estabelecidas sem directivas precisas de utilização pelos bancos, têm no crescimento da economia.

Analistas sublinham igualmente que medidas do mesmo tipo antecipadas pelo Banco de Inglaterra tiveram efeitos limitados a três ou quatro meses, tendendo depois  novamente para a estagnação económica.

O Banco Central Europeu continuou a não ter em linha de conta os efeitos da austeridade na estagnação do consumo e na desagregação da economia europeia.

 

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