Opinião

Do outro lado do mundo, no dia em que o ano se despedia, vinha esta notícia: as autoridades japonesas começaram a recrutar pessoas sem-abrigo e desempregados para os trabalhos de limpeza da central nuclear de Fukushima. Milhares de trabalhadores são necessários para “limpar” a catástrofe, numa tarefa que se estima durar trinta anos.

Da presença do lobby do sector financeiro nas reuniões do Conselho Europeu já tínhamos conhecimento. Os chefes de Estado e de governo chegam a Bruxelas e as "vontades" dos mercados têm sempre um lugar de eleição.

Numa semana intensa, com notícias enganosas, como a da reestruturação da dívida proposta pelo governo, ou simplesmente más, como o ataque aos professores ou a anunciada desistência dos Estaleiros Nacionais de Viana do Castelo, houve uma que se sobrepôs. Refiro-me evidentemente à morte de Nelson Mandela.

No ano passado eram 785, este ano são 870. Têm em comum uma fortuna superior a 30 milhões de dólares (perto de 25 milhões de Euros). São 0,009% da população. Mais do que milionários, são ultra-milionários. Portugal é hoje um país mais pobre e mais desigual, mas com mais ultra-milionários.

Parece que o facto de os Estados Unidos espiarem a Europa sempre tem alguma relevância para os líderes europeus. O que já era mais do que evidente para o comum dos mortais não o era para eles, e passou a ser. O que mudou, afinal?

A peça chama-se “Vitral”, a encenação é de Leonor Barata, e está a ser levada a cena em Coimbra pelo TEUC e pelo Projecto D. “Infelizmente continuamos às escuras”, pode ser lido numa nota da direcção do TEUC de 10 de Outubro, dois dias depois da estreia.

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