Teimar no nuclear "é arrogância"

Seg, 19/03/2012 - 17:18

Marisa Matias - A lição de Fukushima: adeus ao nuclear - 2012/03/12

 

Um ano depois da tragédia, os responsáveis mundiais não aprenderam ainda a lição de Fukushima porque continuam a construir-se e planear-se mais centrais nucleares, denunciou a eurodeputada Marisa Matias.

 

Terramotos e tsunamis são catástrofes naturais, apenas podemos aprender a lidar com elas; quanto às catástrofes nucleares, temos obrigação de as evitar. No entanto, um ano depois de Fuskushima continuam a construir-se e continuam a planear-se novas centrais nucleares. As ruínas de Fukushima, disse a eurodeputada Marisa Matias numa intervenção no Parlamento Europeu um ano depois da tragédia no Japão, são um retrato de uma civilização, a nossa, "que decidiu incluir uma tecnologia mortal no seu modelo de desenvolvimento".

"Honrar as vítimas de Fukushima", disse a eurodeputada da Esquerda Unitária (GUE/NGL) eleita pelo Bloco de Esquerda, "é aprender a lição". Será que aprendemos?

As opiniões públicas parece que sim, aprenderam. Há um ano, recorda Marisa Matias, "a energia nuclear era inquestionável no Japão e hoje dois terços dos japoneses não a querem"; na Europa, onde a tragédia de Tchernobil continua a provocar vítimas, também a maioria da opinião pública é contra o nuclear. Por isso, "a política teimosa em favor do nuclear é a política da arrogância" e o debate em torno da utilização desta energia "nunca deveria ter sido fechado".

Um ano depois da combinação terrível de um terramoto, um tsunami e um acidente industrial nuclear, 320 mil japoneses estão refugiados. Cerca de cem mil, lembrou Marisa Matias, jamais poderão voltar. As suas casas são ruínas onde cresce vegetação radioactiva; os campos e as águas estão contaminados. Ao contrário das ruínas maias ou romanas, estas não poderão ser visitadas porque somos uma civilização que "decidiu incluir uma tecnologia mortal no seu modelo de desenvolvimento".

"No Japão como na Europa", disse Marisa Matias perante o plenário do Parlamento Europeu reunido em Estrasburgo, "muitos cidadãos decidiram criar movimentos de adeus ao nuclear, sabem que a energia nuclear segura é uma coisa que não existe, sabem que não há testes de stress que possam simular o que aconteceu em Fukushima".

As autoridades europeias, porém, parecem não ter aprendido as lições dos acidentes nucleares que acontecem. "Sabemos que as políticas energéticas são nacionais", rematou Marisa Matias; "mas no céu não há fronteiras".