Hungria, a trágica gestão dos silêncios

Ter, 19/10/2010 - 00:00

Marisa Matias - Hungria: as vítimas e a gestão dos silêncios - 2010/10/19

Ineficácia, resposta tardia, abandono das pessoas atingidas - eis o diagnóstico sumário da atitude das instituições europeias e do governo húngaro perante a catástrofe da lama tóxica feito por Marisa Matias. O que fizeram melhor, disse, "foi a gestão do silêncio". A eurodeputada do Bloco de Esquerda integrada no GUE/NGL deixou perguntas concisas e directas no plenário de Estrasburgo, uma delas o desejo de conhecer as razões pelas quais uma empresa que violou leis europeias e é responsável por uma tragédia humana desta amplitude foi autorizada a continuar a laborar.

 

Magyar változata a videót (versão do vídeo em húngaro)

A eurodeputada do Bloco de Esquerda integrada no grupo GUE/NGL fez uma intervenção sobre a situação dramática na Hungria e deixou uma série de perguntas à comissária do pelouro presente no plenário do Parlamento Europeu.

"É imoral não cuidar das vítimas", sublinhou Marisa Matias afirmando ainda que "é óbvio que a lei foi violada" mas a maior parte do que sabemos hoje sobre a catástrofe - que ainda ameaça muitas pessoas - chega de informações de cidadãos húngaros uma vez que as autoridades de Budapeste e de Bruxelas "nada vêem ou nada dizem".

Tão dramática como a situação das pessoas afectadas pela torrente de lama tóxica é o comportamento de entidades públicas e privadas perante os acontecimentos. Essa a razão central das perguntas da eurodeputada à comissária. "Como é possível", interrogou, "que se deixem os bancos pressionar os cidadãos com casas na zona afectada para que paguem o que devem já que as suas casas perderam valor?" Ou, "como se consente que as operadoras de telefones cortem o único meio de contacto de quem está na zona de catástrofe?" Ou ainda, "como é possível que a empresa responsável por esta catástrofe já tenha voltado a funcionar? Qual a razão para continuar a mitigar a dimensão desta tragédia humana?"

Feitas as perguntas fica a constatação de Marisa Matias à comissária e aos eurodeputados: perante estes factos "parece que estamos sempre a começar do zero".