GUE/NGL repudia violência em Atenas

Sáb, 22/03/2014 - 14:18

Manifestação de Solidariedade com os trabalhadores Gregos

O grupo da esquerda unitária no Parlamento Europeu, GUE/NGL, declarou-se “profundamente chocado” com os “inaceitáveis actos de violência” dos quais resultaram três mortos no dia da greve geral na Grécia. Ao mesmo tempo, noeadamente através da voz da eurodeputada Marisa Matias, reafirmou a sua solidariedade com a resistência dos trabalhadores gregos contra as medidas anti-sociais que lhes estão a ser impostas.

Lothar Bisky, presidente do grupo GUE/NGL, condenou “fortemente” as acções violentas realizadas na capital grega em simultâneo com os protestos populares e testemunhou em nome do grupo as “sentidas condolências” às famílias das vítimas.

Simultaneamente, acrescentou, “manifesto total apoio e identificação com os que com toda a razão se manifestaram pacificamente na Grécia contra as drásticas medidas de austeridade, mas não podemos compreender tal violência”.

Bisky lamentou que os contribuintes continuem a pagar para os lucros dos bancos, que os trabalhadores sejam vítimas de cortes nos seus rendimentos para pagar as imposições do FMI que eliminam os últimos vestígios de democracia nos mecanismos de decisão”.

O presidente do GUE/NGL voltou a defender o fim dos fundos de risco, os bónus no sector financeiro, ao mesmo que insistiu na necessidade de taxar as transacções financeiras.

No plano geral, acrescentou, “e tal como todos os outros países, a Grécia deve por a casa em ordem, sanear o sistema fiscal, combater a corrupção e reduzir as despesas militares”.

 "Hoje os gregos, amanhã toda a Europa"

Numa carta dirigida ao presidente do Partido da Esquerda Europeia, o partido grego Synapismos e a coligação de Esquerda Syriza advertem que as medidas impostas são “uma escolha desastrosa para a Grécia e traduzem desenvolvimentos negativos para todos os povos da Europa” traçados pelas “forças dominantes na Europa dirigidas pelo sistema financeiro europeu, pelo Banco Central Europeu e pelo governo alemão de Angela Merkel em colaboração com o governo grego de Papandreu”.

“O povo grego vê-se agora obrigado a pagar os custos de uma crise pela qual não têm qualquer responsabilidade”, pelo que o Sinapismos e a coligação Syriza defendem outras opções. Entre elas, sublinha-se na carta, a convocação de um referendo para que os gregos possam pronunciar-se sobre a situação; e também a definição de “medidas de acção e colaboração” europeias de apoio ao povo grego que deverão ter ainda em conta a necessidade de “desenvolver lutas através da Europa contra o ataque de que o nosso povo é vítima hoje e de que todos os povos da Europa poderão ser vítimas amanhã”.

Alexis Tsipras, presidente do Sinapismos e da coligação Syriza, assegura na carta que “os trabalhadores gregos assumem agora o importante dever de resistir a estas decisões, em nome das gerações futuras, em nome dos trabalhadores e povos da Europa”.