Explosão em central nuclear francesa provoca vítimas humanas

Seg, 12/09/2011 - 17:12
AFP/ Claude Paris

 

A explosão num forno eléctrico de tratamento de resíduos radioactivos provocou um morto e quatro feridos na central nuclear francesa de Marcoule, na região de Gard.

 

Um dos feridos encontra-se em estado muito grave, de acordo com as informações oficiais. A Autoridade francesa de Segurança Nuclear deu o “acidente por terminado” por volta das 16 horas de segunda-feira, quatro horas depois da explosão.

O acidente é o de mais graves proporções registados em instalações nucleares francesas e vem dar mais ênfase a notícias frequentes sobre pequenos acidentes e detecção de insuficiências de segurança em várias instalações do país, relançando o debate sobre os riscos da energia nuclear. O debate tem vindo a intensificar-se em França depois do acidente na central de Fukushima, no Japão, e da decisão alemã de abdicar da energia nuclear a partir de 2020. A França é o país que mais depende da energia de origem nuclear e é também o maior exportador de tecnologia nuclear.

A explosão, seguida de incêndio, ocorreu no centro de tratamento e acondicionamento de resíduos de fraca actividade. As instalações que explodiram funcionavam há 12 anos e eram utilizadas para diminuir o volume dos resíduos antes de serem acondicionados. O forno funcionava por incineração e fusão. De acordo com informações oficiais, na ocasião o forno estava a tratar quatro toneladas de metais com uma radiação considerada “muito fraca”. A Autoridade francesa de Segurança Nuclear anunciou que “não foi detectada qualquer contaminação nas seis balizas existentes no Vale do Ródano”, mas estão ainda por realizar os testes com materiais recolhidos no local – vegetação, terra, poeiras nos veículos.

Segundo as autoridades da central, a morte e os ferimentos foram provocados pela explosão propriamente dita e não pelo efeito das radiações. Apesar de desconhecerem as causas da explosão, as mesmas fontes estão desde já a atribuir o acidente a “erro humano”, eventualmente “uma fuga de água que tenha reagido com o metal em fusão” ou “um detrito contido no metal que tenha provocado uma reacção”.

A Agência Internacional de Energia Atómica anunciou que pediu informações às autoridades francesas, o mesmo acontecendo com a Comissão Europeia, que se disse disponível para colaborar com Paris.

Grupos ecologistas e de cidadãos exigiram já transparência na informação sobre o que efectivamente se passou.