Esquerda Europeia debateu a grave situação mundial

Qui, 21/04/2011 - 00:00

 

A Comissão Executiva do Partido da Esquerda Europeia (PEE) reuniu-se em Budapeste para debater a extremamente grave situação mundial, dominada pela crise económica e social e pelo militarismo.

 

O autoritarismo dos mercados financeiros, os ataques sociais quer a nível europeu quer em termos internacionais e a brutal resposta militar na Líbia e Costa do Marfim, entre outros países, foram aspectos lembrados no discurso de abertura do presidente do partido, o francês Pierre Laurent.

A precariedade e a profunda situação de crise foram igualmente realçadas por Attila Vajnai, presidente do Partido dos Trabalhadores da Hungria 2006: “O desemprego cresce dramaticamente no país, as condições de vida são extremamente difíceis para uma população pobre, e a sitaução dos partidos de esquerda na Hungria é dramática uma vez que foram afastados do Parlamento enquanto os partidos de direita vão adoptar de forma muito pouco democrática uma nova Constituição que acaba com benefícios sociais e humanos como o direito das mulheres à interrupção voluntária da gravidez, que foi alcançado há uns anos”.

A situação em Portugal, Grécia, Irlanda e Islândia é muito séria fazendo com que os trabalhadores estejam a pagar por esta crise sem precedentes: “é uma arma de guerra contra os trabalhadores e a soberania popular em termos nacionais, declarou o presidente da Esquerda Europeia. No entanto, acrescentou, o povo expressa globalmente a sua revolta contra estes ataques aos seus direitos sociais e politicos. Em Budapeste cerca de cinco mil pessoas de vários países juntaram-se aos sindicatos húngaros para testemunharem a quem está no poder que são contra estas medidas de austeridade impostas, sublinhou Pierre Laurent.

“Os constantes ataques e as medidas que se expandem através da zona euro mostram que os actuais mecanismos não são de resgate, são mecanismos para castigar as pessoas e os países Europeus, causando um efeit deo dominó e evidenciando a existência de uma crise estrutural com base na arquitectura do euro;  hoje não é suficiente olharmos para pequenas mudanças, mas necessitamos sim de uma concreta re-fundação da União Europeia”, argumentou Alexis Tsipras, presidente da coligação grega Synaspismos a propósito dos recentes desenvolvimentos na Grécia, Portugal e na Finlândia. “O FMI está na Grécia sem o consentimento das pessoas, Portugal vai ter eleições mas o governo do país coloca as pessoas sob resgate, nós não temos ditaduras na Europa mas as decisões não são tomadas pelo povo, é muito importante fazer referendos e ouvir o povo”, defendeu A. Tsipras.

Neste contexto, a iniciativa de cidadãos que está a ser promovida pela Esquerda Europeia foi apontada como possivel saída para a actual situação e como plataforma de discussão sobre possíveis alternatives às medidas de austeridade. Os cidadãos estão a ser consultados e é necessário intensificar ainda mais este processo: “precisamos de uma contra-ofensiva contra a regressão social, contra os ataques à protecção social e aos serviços públicos; uma resposta contra a máquina de guerra que ameaça e que traga solidariedade entre os povos”, explicou J.F. Gau do grupo dinamizador da Iniciativa de Cidadãos.

A Comissão Executiva da Esquerda Europeia discutiu igualmente a situação no Japão e a questão da energia nuclear. Perante a grave situação que se vive actualmente em Fukushima, membros do Partido expressaram a sua profunda solidariedade com o povo japonês e concordaram que a energia nuclear deveria ser substituída de forma progressiva e na medida do que vai sendo possível. A nacionalização dos recursos energéticos deverá igualmente acontecer o quanto antes, sendo esta a melhor forma de garantir um controlo efectivo do seu bom funcionamento. A Esquerda Europeia decidiu ainda apoiar o dia 26 de Abril como o dia Europeu contra a energia nuclear.

O Partido da Esquerda Europeia convidou Mamdouh Habashi, do Centro de Pesquisa Árabe e Africano, para o debate sobre o Norte de África e para falar da situação que se vive no Egipto. Habashi explicou que a situação não é estável mas que isso é bom porque o Egipto “teve uma estabilidade crónica por muito tempo e isso não era um bom sinal; agora estamos perante uma situação de grande movimentação que começou sem liderança, muitos grupos e pessoas juntaram-se em torno do que não queriam, o povo ganhou a primeira batalha mas tivemos de aceitar a transição através do exército, mesmo sabendo que é parte do regime. Iisto colocou o país numa situação muito séria, a liderança militar faz o jogo político segundo os seus pontos de vista e tenta reavivar as velhas estruturas o mais possível. Leis contra o direito de manifestção e o direito à greve foram adoptadas contendo enormes penalizações e a lei dos partidos é absolutamente restritiva porque cada partido, para ser legitimado, precisa de reunir cinco mil fundadores e de publicar os estatutos pelo menos em dois jornais - através do pagamento de uma verba próxima dos 100 mil eurosagamento de uma propina de cerca de 100 mil euros”, explicou Habashi. Neste contexto, os únicos partidos realmente legalizados são a Irmandade Muçulmana e os que já existiam no antigo regime. Mas o povo do Egipto, bem como o dos restantes países árabes, não desistem, eles sabem que este é um processo que levará tempo, existem movimentos de sindicatos independentes e confederativos que estão na primeira linha e o nosso objectivo é a luta por um Estado e uma sociedade civil, disse Mahmoud Habashi.

O Partido da Esquerda Europeia também adoptou uma resolução sobre a Líbia exigindo um imediato cessar-fogo e uma solução pacífica para o conflito.

Resolução contra o nuclear.