Cipriotas gregos e turcos unem-se contra o nuclear

Sáb, 07/05/2011 - 00:00

 

Cipriotas gregos e turcos juntaram-se em Nicósia numa grande manifestação anti-nuclear, protestando também contra os planos da Turquia para construir uma central a 90 quilómetros da costa norte da ilha.

 

Os activistas das duas comunidades formaram uma cadeia humana empunhando velas ao longo da zona controlada pelas Nações Unidas e que divide Nicósia. Manifestaram a sua oposição à energia nuclear, principalmente contra os planos turcos de construção de uma central apenas a 90 quilómetros da costa norte de Chipre. Os cipriotas citaram o exemplo da central nuclear japonesa de Fukushima para lembrar que o projecto turco está previsto para a baía de Akkuyu, situada “muito próximo de uma falha sísmica muito perigosa”.

A acção foi apoiada por numerosos partidos políticos, organizações ambientalistas e organizações profissionais das duas comunidades de Chipre, que se pronunciaram a uma voz contra os perigos decorrentes da energia nuclear.

Estas organizações sublinharam que as operações normais de uma central nuclear e, sobretudo, os riscos de fugas devido a acidentes degradam a qualidade dos seres vivos nas imediações, incluindo os seres humanos. A baía de Akkuyu, no Mediterrâneo Oriental, é um vasto e interligado ecossistema. No caso de uma eventual fuga de radiação numa central nuclear construída na zona todo esse ambiente será danificado ao longo de muitas dezenas de quilómetros.

Os manifestantes em Nicósia lembraram igualmente a tragédia de Chernobyl, registada há 25 anos, sublinhando os danos humanos e naturais que continua ainda hoje a provocar na bacia do Mar Negro onde foi construída. Salientaram também que os perigos que o Japão enfrenta actualmente podem vir a repetir-se noutras partes do planeta, designadamente em situações como a baía de Akkuyu devido à sua proximidade com uma falha sísmica muito perigosa.