"CGTP tem de ponderar as formas de luta que escolhe"

Seg, 27/05/2013 - 23:36

Miguel Portas declarou que a partir da greve geral de quinta-feira a CGTP "fica obrigada a fazer uma ponderação" sobre "como unir a grande maioria do mundo do trabalho não só à volta das suas reivindicações como também à volta das formas de luta que escolhe". O eurodeputado da Esquerda Unitária (GUE/NGL) eleito pelo Bloco de Esquerda salientou "que o problema de uma greve geral que não tenha um grande sucesso é que dificulta a greve geral seguinte".

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Na sua intervenção semanal no programa Conselho Superior da Antena Um, Miguel Portas disse que "há que saber combinar a força e a coragem dos sectores sociais mais avançados com a força de uma central sindical, que é a de saber como unir a grande maioria da força do trabalho não só à volta das suas reivindicações como também das formas de luta que escolhe".

O eurodeputado afirmou que "foi uma greve mais difícil que a anterior não só porque a anterior foi convocada por duas centrais mas porque duas greves gerais em curto intervalo de tempo cria problemas de adesão a pessoas que tenham problemas económicos muito difíceis e porque a perda de um dia de salário faz obviamente uma grande diferença". Acrescentou que "a greve foi muito forte do lixo aos portos, foi variável no sector dos transportes, foi fraca nos sectores industriais, não pode dizer-se que foi uma greve da mesma ordem de grandeza da anterior".

"É verdade", prosseguiu Miguel Portas, "que as razões para a greve essas continuam a acumular-se; uma greve contra o empobrecimento do país tem sempre a compreensão de grande parte da população mesmo que possa não ter o mesmo envolvimento participativo"

O eurodeputado afirmou que à luz de dados sobre a situação social, designadamente os mais recentes sobre o empobrecimento e a emigração, "a CGTP deve reflectir e ponderar sobre a articulação das formas de luta que se usam, nomeadamente o recurso à greve geral".

Sobre o congresso do PSD, Miguel Portas anteviu que "será sem história" porque o partido está no governo e tende a repetir-se a situação que já acontecia com José Sócrates. "A partir do momento em que estes partidos vão para o governo", afirmou, "entram numa espécie de reino calculado do unanimismo em que ninguém faz ondas" e "por isso este congresso é uma espécie de tempo de antena, e um mau tempo de antena".