Centrais nucleares europeias carecem de investimentos fabulosos em segurança

Sáb, 06/10/2012 - 16:47

 

Os investimentos necessários para garantir a segurança das centrais nucleares dos países da União Europeia deverão atingir entre 10 a 25 mil milhões de euros, de acordo com um documento da Comissão Europeia a publicar quinta-feira em Bruxelas.

 

O relatório é o resultado dos testes de resistência (« testes de stress ») efectuados por iniciativa de Bruxelas nos 134 reatores em funcionamento na Europa, em 68 centrais de 14 países, depois da tragédia de Fukushima em março de 2011.

Segundo o comissário da energia, Gunther Oettinger, « a situação é satisfatória », mas « não devemos ter qualquer tolerância ». Não haverá qualquer imposição para que algum reator seja encerrado, mas os investimentos em segurança serão muito avultados, entre 10 e 25 mil milhões de euros, circunstância que elevará ainda mais os custos da energia nuclear numa altura em que algumas energias renováveis, designadamente a eólica, já se revela bastante mais vantajosa também em termos de custos.

O caso de França, a maior potência europeia em produção de energia nuclear, é particularmente grave. Na sua generalidade, todos os 58 reatores das 19 centrais registaram falhas e carências em termos de segurança em cinco a sete dos 11 pontos dos testes.

Os exames revelaram que, de uma maneira geral, os equipamentos de socorro e os grupos eletrogeradores não estão devidamente protegidos contra sismos e inundações, ao contrário do que acontece nas centrais britânicas, belgas e alemães. Além disso, as centrais francesas não dispõem de instrumentos de sismografia de acordo com os parâmetros estabelecidos depois de Fukushima.

Um relatório publicado anteriormente pela Autoridade francesa de Segurança Nuclear denunciara já as inquietantes carências no parque nuclear francês, definindo então milhares de medidas a adotar pelas entidades exploradoras das centrais.