| Repúdio popular pela intentona no Equador |
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| Friday, 01 October 2010 18:12 | |||
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Por José Nuno Pereira Organizações de cidadãos e não governamentais manifestam na América Latina e na Europa o repúdio pela tentativa de golpe de Estado no Equador. Esse foi o objectivo de uma concentração realizada sexta-feira em Bruxelas. O presidente Rafael Correa já tomara conta da situação no seu país quando centenas de pessoas se concentraram frente ao Consulado do Equador em Bruxelas correspondendo ao apelo de várias organizações de imigrantes e de solidariedade com os povos da América Latina. Manifestantes salientaram o facto de os governos dos países latino-americanos e até responsáveis norte-americanos e do Canadá terem condenado a movimentação rebelde e o sequestro do presidente durante quase 12 horas num quarto de hospital. O movimento rebelde foi executado directamente por forças policiais que atacaram o palácio presidencial em Quito, descontentes com uma lei que consideram nocivas para os seus direitos adquiridos. O presidente Rafael Correa foi ferido por uma granada de gás lacrimogéneo e levado para um hospital da capital onde, através de telefone, declarou à TV pública que estava a ser vítima de um golpe de Estado. Segundo o presidente, sectores da Sociedade Patriótica afecta ao ex-presidente Lucio Gutierrez, teriam aproveitado o descontentamento no interior das forças policiais para tentar derrubar o governo legítimo do Equador. Rafael Correia foi mantido sequestrado pelos revoltosos no quarto de hospital durante quase 12 horas e libertado de madrugada através de uma operação do exército. Já de novo no palácio presidencial, Correa dirigiu-se aos milhares de apoiantes que ali se concentraram para o apoiar reiterando as acusações de que fora vítima de uma intentona e que nunca, como no seu governo, as forças policiais foram tão apoiadas, razão pela qual se sentiu “esfaqueado nas costas”. Freddy Martinez, o comandante da polícia, renunciou ao cargo e o presidente salientou que o episódio “não será esquecido nem perdoado”. Durante o levantamento policial o Equador ficou isolado do mundo. Os aeroportos foram encerrados e o presidente decretou o estado de excepção durante cinco dias. De acordo com as informações governamentais, a nova lei não retira qualquer bónus à polícia, integrando nos salários dos agentes e oficiais as verbas que recebiam por ocasião das condecorações de cinco em cinco anos. “Acredito que nenhum membro da polícia tenha lido a lei e que alguns se tenham deixado manipular”, afirmou o presidente. De acordo com um informe de 2008 assinado pelo ministro da Defesa do Equador, as forças policiais têm sido vítimas de infiltrações de grupos oposicionistas com o objectivo de desestabilizar o regime democrático. Algumas acusações são dirigidas à embaixadora dos Estados Unidos, Heather Hodges, colocada em Quito ainda por George W. Bush e que tem como rastos na sua carreira a assessoria à presidente direitista da Nicarágua Violeta Chamorro, a preparação da pista da “revolução colorida” na Moldávia contra o regime democraticamente estabelecido e o trabalho realizado no Gabinete de Assuntos Cubanos, especializado na desestabilização contra Cuba. A polícia do Equador e alguns dos seus membros mantêm dependência em relação aos Estados Unidos, país que dá formação à instituição e paga directamente a alguns informadores. Heather Hodges comentou a propósito dos últimos acontecimentos e do seu hipotético papel que os Estados Unidos têm uma colaboração institucional com o governo do Equador no domínio da segurança, principalmente na “luta contra o narcotráfico”. Nos últimos tempos tem-se registado também no Equador um aumento de actividade de agências norte-americanas como a USAID, designadamente através de grupos por ela financiados e que nos últimos dias publicaram comunicados apelando à demissão de Rafael Correa. Uma das empresas através das quais a USAID actua no Equador é a Chemonics, que também estado alegadamente envolvida na desestabilização do regime boliviano.
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