The Week

Parlamento Europeu prepara a reabertura em 1 de Julho

Wed, 04/06/2014 - 12:37

O Parlamento Europeu com a composição resultante das eleições de 25 de Maio entrará em funções em 1 de Julho com o início da primeira sessão plenária em Estrasburgo. Será a oitava legislatura do Parlamento Europeu.

Entretanto decorrem em Bruxelas as reuniões institucionais e de grupos para estabelecer o arranjo final da Câmara e também para preparar a escolha do novo presidente da Comissão Europeia.

A distribuição actual de deputados pelos grupos políticos existentes é ainda provisória, uma vez que decorrem reuniões e negociações relacionadas com as respectivas composições. Estão em aberto, sobretudo, as inclusões de numerosos deputados de extrema direita pertencentes a partidos nacionais que nunca tiveram lugar no Parlamento Europeu e que, como tal, terão de decidir qual o seu posicionamento. O grupo onde se têm acolhido os eleitos neofascistas designa-se Europa da Liberdade e da Democracia (EFD), tem provisoriamente 38 deputados mas sem qualquer definição ainda sobre numerosos eleitos que  estão no grupo dos Não Inscritos e nos “Outros” mas têm afinidades políticas e ideológicas com ele.

Cada grupo parlamentar terá de ter pelo menos 25 eurodeputados de sete países – um quarto dos Estados membros actuais (28).

A eurodeputada Marisa Matias, eleita pelo Bloco de Esquerda, integra o GUE/NGL, Grupo da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica, que tem 45 eurodeputados, segundo a lista provisória – elaborada com base na anterior composição parlamentar, na qual tinha 35 membros. Dos primeiros encontros internos prevê-se o abandono do grupo pelo Partido Comunista Grego (KKE), cujo representante passará para o grupo dos Não Inscritos.

O Parlamento Europeu tem 751 deputados e – sempre segundo o arranjo provisório – o maior grupo continua a ser o do Partido Popular Europeu (PPE), dito “democrata cristão”, com 221 deputados, 29,43% da câmara.

O S&D, Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas, essencialmente “social democrata”, tem 189 deputados, 25,17% do Parlamento Europeu.

A soma destes dois grupos, a “maioria oficial parlamentar” que tem assegurado o funcionamento do Parlamento quase sempre em sintonia com o Conselho Europeu e a Comissão Europeia nas linhas gerais que incluem a austeridade e o Tratado Orçamental, é de 54,6%, menos ampla do que na legislatura anterior.

Esta “maioria oficial” conta sempre com o apoio dos Liberais, Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa (ALDE), com 59 eurodeputados, sobretudo nos assuntos económicos directamente relacionados com a situação em que se encontra a União Europeia.

Os Verdes/ALE (Aliança Livre Europeia) surgem em quarto lugar com 52 deputados,  6,92%.

Em quinto lugar, com 46 deputados (6,13%), estão os Conservadores e Reformistas Europeus (CRE), direita e também extrema direita populista (a exemplo do que acontece no PPE com o caso do CDS/PP e outros), que não se identificam em pleno com a “democracia cristã e no qual avultam os conservadores britânicos.

Segue-se o GUE/NGL, com 45 eurodeputados – sem incluir ainda a eventual saída do KKE – 5,99% dos votos e mais dez representantes do que na legislatura anterior.

Os Não Inscritos são 41, alguns dos quais, como os gregos do Aurora Dourada, irão integrar o grupo neofascista, Europa da Liberdade e Democracia, ainda com 38 deputados tendo como referência a legislatura anterior. No caso de nele se integrarem os 24 membros da Frente Nacional francesa e os neonazis eleitos na Hungria, Áustria, Grécia, Irlanda do Norte e Alemanha, actualmente ainda distribuídos por Não Inscritos e “Outros”, este grupo neofascista poderá saltar para o terceiro lugar, com 70 a 80 membros, ultrapassando os liberais e atingindo quase 10% da Câmara.

Os eurodeputados ainda integrados nos “Outros”, eleitos por partidos nunca antes representados no Parlamento Europeu, são ainda 60 – e serão todos distribuídos pelos grupos institucionais, incluindo os Não Inscritos.

 

 

Social networks
Opinião